
Tratamento
da crise fraca
Nas
crises fracas é recomendado tentar repouso
em quarto escuro, evitar barulho e, se possível,
conciliar o sono. Medidas como o uso de bolsas
de gelo e/ou compressão das artérias
das têmporas podem ser úteis.
Nas crises fracas, que não cedem com
as medidas gerais, sugere-se o uso de analgésicos
comuns ( ácido acetilsalicílico,
paracetamol, dipirona), antiinflamtórios
não-esteroidais (AINEs) [naproxeno sódico,
ibuprofeno, diclofenaco de sódio, ácido
tolfenâmico e clonixinato de lisina].
Além disso, recomenda-se o uso de metoclopramida
ou domperidona quando sintomas de náusea
ou vômito estão associados. Essas
drogas podem ser usadas 30 minutos antes dos
medicamentos propostos para a dor mesmo quando
o paciente não apresenta náusea,
para obter-se efeito gastrocinético ou
mesmo impedir a progressão da crise.
A presença da intensa sedação
ou história prévia de distonia,
ou outras manifestações extrapiramidais,
deve contra-indicar o uso de metoclopramida.
Associações de fármacos,
tão freqüentemente encontradas no
comércio, são desaconselhadas
em virtude da somatória de possíveis
efeitos colaterais e das doses inadequadas habitualmente
encontradas nessas formulações
(Tabela 1).
Tabela1. Tratamento da crise fraca
Droga |
Dose/Posologia |
Classe |
Ácido
acetilsalicílico |
1000mg VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 3g ou |
Classe I |
Paracetamol |
1000mg VO
repetir 2-4h após
s/n máximo 3g ou |
Classe I |
Naproxeno
Sódico |
750-1250mg
VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 1650mg ou |
Classe I |
Ibuprofeno |
800-1200mg
VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 1600mg ou |
Classe I |
Diclofenaco
de sódio |
50-100mg
VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 200mg ou |
Classe I |
Ácido
tolfenâmico |
200-400mg
VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 600mg ou |
Classe
I |
Clinixinato
de lisina |
250mg VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 500mg ou |
Classe III |
Dipirona |
500mg VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 2g ou |
Classe I |
Todos podem
ser associados ou precedidos |
Metoclopramida
20mg VO
ou Domperidona 20mg VO |
Classe I |
Outras opções |
Isometepteno
65mg+
Cafeína 100mg+
e Dipirona 300mg VO |
Classe III |
Legenda:
VO, via oral; s/n, se necessário; h,
horas; g, gramas; mg, miligramas
Tratamento
da crise moderada
Nas
crises moderadas, afora a possibilidade do emprego
de analgésicos e AINEs, são recomendados
derivados ergóticos ( tartarato de ergotamina
ou mesilato de dihidroergotamina) ou triptanos.
A escolha do triptano e sua via de administração
deve levar em consideração peculiaridades
da crise, tais como, total do tempo necessário
para chegar ao auge da intensidade da dor e
presença de náusea e/ou vômito.
Exceto com o uso de triptanos, o emprego de
gastrocinéticos e antieméticos
é sempre recomendado.
O emprego de ergóticos deve ser o mais
precoce possível, pois não tem
efeito quando tardiamente usados. Os triptanos,
por seu lado, podem ser utilizados em qualquer
momento da crise.
Na recorrência freqüente da cefaléia,
após o uso de triptano, é recomendada
a associação com AINEs (ácido
tolfenâmico ou naproxeno sódico)
(Tabela 2).
Tabela
2. Tratamento da crise moderada
Droga |
Dose/Posologia |
Classe |
Ácido
acetisalicílico* |
1000mg VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 3g ou |
Classe I |
Ácido
tolfenâmico* |
200-400mg
VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 600mg ou |
Classe I |
Clonixinato
de lisina* |
250mg VO
repetir 2-4h após
s/n máximo/dia 500mg ou |
Classe I |
Tartarato
de ergotamina* |
1-2mg VO
repetir 1-2h s/n
máximo/dia 4mg ou |
Classe I |
DHE* |
0,5mg em
cada narina
repetir 15min após s/n
máximo/dia 2mg ou |
Classe
I |
Sumatriptano |
50-100mg
VO. 20mg IN
repetir em caso e
recorrência máxima/dia 200mg
ou |
Classe I |
Naratriptano |
2,5mg VO
repetir
s/n máximo/dia 5mg ou |
Classe
I |
Zolmitriptano |
2,5-5mg
VO repetir s/n
máximo/dia 7,5mg ou |
Classe I |
Rizatriptano |
5-10mg VO.
10mg disco
dispersível sobre a língua,
s/n, máximo/dia 20mg ou |
Classe I |
Triptanos |
Em caso
de recorrência freqüente
de cefaléia associar ácido
tolfenâmico
200mg ou naproxeno sódico 550mg VO |
Classe II |
* Associar metoclopramida parenteral na vigência
de vômito; Legenda: IN, via intranasal;
DHE, mesilato de dihidroergotamina; VO, via
oral; s/n, se necessário; h, horas; g,
gramas; mg, miligramas
Tratamento
da crise forte
Nas
crises fortes recomenda-se o uso de triptanos,
indometacina ou clorpromazina. O uso de dexametasona
ou de haloperidol pode também ser recomendado.
Na vigência de recorrência de cefaléia,
após o uso de triptanos, deve-se associar
AINEs. (Tabela 3).
Tabela
3. Tratamento da crise forte
Droga |
Dose/Posologia |
Classe |
Dipirona* |
1000mg IV
diluída
em SF 0,9% máximo/dia 2g ou |
Classe III |
Clorixinato
de lisina* |
200mg IV
diluída em
20ml SF 0,9% máximo/dia 500mg |
Classe III |
Sumatriptano |
6mg SC ou
20mg IN
Ou 50-100mg VO ou |
Classe I |
Rizatriptano |
5-10mg VO,
10mg disco
dispersível sobre a língua
ou |
Classe I |
Zolmitriptano |
2,5mg VO
ou |
Classe I |
Indometacina* |
100mg IR
repetir 1h
s/n máximo/dia 200mg ou |
Classe II |
Clorpromazina |
0,1-0,7mg/kg
IM ou
IV diluído em SF 0,9%,
repetir até 3 vezes nas 24h |
Classe I |
Dexametasona* |
4mg IV,
repetir 12-24h s/n ou |
Classe II |
Haloperidol |
5mg IM ou
IV diluído em SF 0,9% |
Classe I |
Triptanos |
Em caso
de recorrência freqüente
de cefaléia associar ácido
tolfenâmico 200mg VO ou
naproxeno sódico 550mg VO |
Classe II |
*Associar
metoclopramida parenteral na vigência
de vômito
Legenda: SC, via subcutânea; IM, via intramuscular;
IR,intra-retal; IV, intravenosa; SF, soro fisiológico.
Observações
Finais
O
uso de analgésicos deve ser limitado
a 3g de ácido acetilsalicílico
ou analgésico equivalente/dia, máximo
de 3 vezes na semana (50g de ácido acetilsalicílico
ou equivalente por mês) e a 2 a 4mg/dia,
máximo duas vezes na semana (8-10mg/semana)
de ergóticos, no intuito de prevenir
o aparecimento da cefaléia crônica
diária ou de manifestações
sistêmicas dessas drogas ( ergotismo,
fibrose retroperitoneal, hemorragia gastrintestinal).
A escolha do triptano deve levar em conta a
presença de doenças associadas
( hipertensão arterial sitêmica,
doença coronariana ou vasculopatias).
O seu uso é contra-indicado nas 24h subseqëntes
ao uso ergótico. ( Tabela 4).
Tabela
4. Eficácia e efeitos colaterais
Droga |
Eficácia |
Efeitos
colaterais |
Ácido
acetisalicílico* |
+ |
+ |
Paracetamol |
+ |
+ |
Isometepteno |
++ |
+ |
AINEs |
++ |
+ |
Ergotamina |
++/+++ |
++/+++ |
DHE |
+++/++++ |
+/++ |
Sumatriptano |
+++/++++ |
+ |
Naratriptano |
++ |
+ |
Zolmitriptano |
+++ |
+ |
Rizatriptano |
+++ |
+ |
Clorpromazina |
+++ |
++ |
Dexametasona |
++ |
+ |
Haloperidol |
++ |
++ |
Legenda: + grau de intensidade dos efeitos
Alerta.:As
informações contidas neste site
não substituem o aconselhamento médico.
Sempre procure seu médico antes de iniciar
qualquer tratamento ou quando tiver qualquer
dúvida acerca de uma condição
clínica. Nenhuma das informações
disponibilizadas por este serviço tem
a finalidade da realização de
diagnósticos ou orientação
de tratamentos.
Fonte
Livro: “Cefaléias Primárias:
Aspectos Clínicos e Terapêuticos”.Fernando
Ortiz;Edgard Raffaelli Jr e col.. ( 2ª
Edição). São Paulo: Editora
Zeppelini, 2002.

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